06 julho 2009
O Manifesto da Culpa - penúltima parte
É aqui que este manifesto acaba. Deixo-lhes um mandamento,como prrrova do meu afeto:
Olhe para este mundo, sorria com seu cinismo habitual, depois devore-o. você sentirá a areia descendo pela garganta, pensará numa ampulheta, pensará no vazio da sua alma, pensará que amar é um deserto em seus temores até o último trago...
E quando acabar vai aprendar a lição inegável: tudo acaba. esta é a única verdade, e é isto que eu espero que você aprenda.
Ninguém está no mundo para ser salvo de nada. Todos nós estamos perdidos.
Eu sempre acreditei que só existe uma forma de ir além do nivel humano: Ou se tornar um martire ou se tornar um gênio.
Então você percebe que todo gênio é um gênio para meia duzia de assuntos e para milhares de pessoas,mas sempre será um idiota para meia dúzia de pessoas e milhares de outros assuntos.
Todo gênio é um oportunista. Todo gênio oculta (ou ofusca) milhares de outras pessoas que fizeram dele um gênio.
Nada é mais belo e inspirador que o martire e seu sorriso, e nada é tão triste e doentio ou duvidoso. ele sorri, bota fogo em si mesmo, sangra até a morte, espalha sua essência, liberta uma idéia de sua forma cristalizada, e esta é idéia vira matéria prima para o novo mercado dos porcos que suam de ganância.
viva, viva. viva o novo mundo. eba.
Se o gênio e o martire, minhas únicas respostas para este mundo, se resumem a sorte e a vergonha da doença, o que resta?
vivemos numa geração de idiotas.
nossa maior revolução é o Iphone... SOMOS OU NÃO SOMOS UMA PIADA?
eu espero que alguém me ensine, mas sei que ninguém pode. eu não aprenderia.
espero que alguém aprenda, mas sinceramente não acredito.
então vamos queimar nossos corpos, vamos queimar o mundo inteiro.
ninguém te salvará
ninguém quer te ver sorrindo
a felicidade é o caminho para a autodestruição.
Você está no mundo para digerí-lo.
Faça bom proveito, pois todo o resto é entretenimento...
devora-te, decifra-te, digere-te, descarta-te.
a autodestruição diária, nunca a definitiva, é o caminho para a felicidade.
este eepisódio não têm execício para fixação. todos passaram no teste, o professor não existe.
11 maio 2009
O Manifesto da Culpa - Parte 3
3. O Bem que você me faz.
O carinho não dura tanto quanto a violência.
Todos tentam ser bons. O problema é que não tentam o tempo inteiro.
Visualize o mundo utópico de todos os pregadores messiânicos em suas noites mais tranquilas.
Veja a “Bondade” dançando junto com a “Verdade”. Veja como a “Tolerância” oferece o saleiro para a “Igualdade” na mesa do “Banquete Final.”
Eu sei que um dia “o lobo brincará na grama com a ovelha” como se fossem Ursinhos Carinhosos, mas isso não acontecerá nesta noite, não será amanhã.
Na verdade nem será neste mundo.
Neste mundo em que vivemos todas as brincadeiras do lobo acabam mal.
Sempre foi assim, e continuará assim até que algo o pare.
A bondade oferece sua benevolência libertadora a todos que se importam.
Mas o mal simplesmente semeia, cresce e se multiplica.
Ele não precisa ser compreendido.
Ele não tem mandamentos que precisam ser decorados
Não temos um mestre que visitamos todo domingo ou sábado para aprimorar nossa arte.
Você só precisa acordar pela manhã e está pronto para praticá-lo.
Vamos deixar de lado a discussão de “o que é o bem e o que é o mal?” ou “ mas o que é certo e o que é o errado?”. Apenas veja o mundo e suas tentativas de sobrevivência.
O resultado? A luta por sobrevivência acaba por foder as mentes, a conduta e por fim a existência.
É um Ouroboros.
Aquilo que te alimenta acaba te devorando.
A separação do “bem” e do “mal” é difícil até para os mais éticos.
Porque o mal não precisa de nenhuma motivação para acontecer, ele só precisa de justificativas.
E as justificativas o tornam tão aceitável...
Por mais que o bem e a bondade construam aparelhos e ferramentas para sobrevivência de nossa espécie, o mal acrescentará um pouco de veneno para que estas ferramentas se tornem aptas a derramar sangue por ideologias ou por dinheiro.
Pois o derramamento de sangue é uma forma de sobrevivência.
Exercício para praticar o conceito
3) Veja os arquétipos listados abaixo e associe com o seu conhecimento prévio de cada um deles:
Cristãos – Judeus – Muçulmanos – Capitalistas – Comunistas.
Relacione-os com as seguintes palavras:
Coliseu – inquisição – cruzada – armas químicas – miséria – violação de direitos – Corrupção – medo – manipulação – lavagem cerebral – guerra - injustiça – xenofobia – Militarismo – intolerância – divisão - indiferença – ódio – mártires – raízes – causa - exploração – trabalho– expansionismo – conquista – riqueza –renúncia.
Agora escolha entre as afirmações abaixo a alternativa que responde melhor a pergunta:
“ O que eles têm em comum?”
(Considerando a possibilidade de existir uma semelhança entre os arquétipos)
a)O sofrimento (que lhes foi imputado durante algum período histórico.)
b)O sofrimento (que infringiram a alguém durante algum período histórico.)
c)A responsabilidade por seus atos.
d)Todos eles, de forma consciente ou inconsciente seguiam as ordens de um líder
e)Todos eles são ou foram seres humanos.
Todos os que foram antes de nós, com seus ideais e instrumentos de bondade tentaram fazer o “BEM” reinar na terra e fracassaram miseravelmente, no melhor estilo “um passo para frente, dois passos para trás”.
A pergunta que deixo para o penúltimo capítulo deste manifesto é:
Vale a pena tentar mudar o mundo, rompê-lo e recomeçá-lo?
04 maio 2009
O Manifesto da Culpa - parte 2
2.Culpa e Caos
Por que o mundo é injusto?
Somos Todos Culpados.
Quem dera que você e eu desconhecêssemos isso, mas quanto mais eu penso mais isso se torna obvio.
Removida a “Ilusão da percepção”, onde existem vítimas, devemos conceber que não há vítimas. Do modo em que vivemos todos são culpados.
(Mas entenda: Ninguém é culpado sozinho. A culpa é algo maior que eu e você. Grande de mais para apenas um de nós.)
A nossa natureza e escapar desse tipo de confronto.
Você vê o mal acontecendo todo o dia, você ouve as histórias de suas vizinhas velhas, você assiste todo o tipo de crueldade ficcional ou não, e você se pergunta: “O que eu tenho a ver com isso?”
Visualize:
Um assassinato em outro estado;
A corrupção dos políticos em Brasília;
O motorista de ônibus que não parou no sinal;
O assédio de um chefe em cima de um empregado;
A miséria de m mendigo sentado na esquina de feira;
Você e sua rotina.
De uma forma assustadoramente real isso tudo está interligado.
Segundo a Teoria do Caos os sistemas dinâmicos têm resultados diretamente influenciados por manifestações insignificantes que perturbam todo sistema o tempo inteiro.
Acredite, você é insignificante o suficiente para perturbar todo esse sistema social.
Você não consegue entender, mas sua participação na sociedade o torna diretamente responsável por mortes diárias.
Você não pode dizer que não é culpado de um assassinato em outro estado!
Você não pode dizer que não é culpado pela corrupção em Brasília!
Você não pode dizer que a displicência de um motorista não é culpa sua!
Simplesmente por que você não é capaz de medir o resultado de suas ações.
De uma forma maligna todos nós compartilhamos esta responsabilidade, mesmo que apenas alguns puxem o gatilho.
Pode ser que você nunca esfaqueie um homem e leve sua carteira.
Pode ser que você nunca espanque seus filhos até sangrar.
Pode ser que você nunca sofra ou cause uma maldade.
Mas você está no mundo, e esse mundo está pegando fogo. Cada vez que você respira é uma labareda que se ergue. Cada vez que você se move se levanta a fuligem acesa.
Exercício para praticar o conceito:
2) As ações de um indivíduo são capazes de influenciar toda a sociedade, segundo a teoria do Caos. No entanto não somos capazes de mensurar os impactos que nossas ações causam.
Tendo isso em mente, qual afirmativa abaixo é falsa?
( ) Um garoto que te pediu uma moeda há 12 anos atrás será o viciado que vai estourar a cabeça do seu filho.
( ) Uma discussão no trânsito hoje fará um casamento terminar em 4 semanas.
( ) Suas horas extras estão fazendo uma menina ser surrada pelo próprio pai.
( ) Se você tivesse se atrasado para o trabalho no dia 13 de janeiro a criminalidade do rio de janeiro teria caído meio ponto percentual.
( ) Você sabe que tudo isso é bobagem, todas as alternativas são falsas.
( ) Se você for um bom menino tudo vai dar certo para você.
A minha pergunta real é: Se todos somos culpados pelas coisas ruins que acontecem, quem é “culpado” pelas coisas boas?
30 abril 2009
O Manifesto da Culpa - parte 1
1. Sobre a ilusão da Percepção
Parece obvio, mas leia com atenção
Qualquer um que se predisponha ao sofrimento chegará à conclusão de que não passamos de vítimas.
Ora, todo aquele que sofre também teme o sofrimento quando está distante, e quando se manifesta sente urgência de que passe.
Uma vez que a dor o domina surge a busca por soluções que atenuem esta dor.
Toda a dor fará pensar. Este é um benefício menosprezado.
Um pensamento limitado anestesia a dor ou a evidencia ainda mais, mas nunca curará a dor.
Se o homem que sofre pensa, pensa na razão de sua dor.
Naturalmente pensa o porquê isso aconteceu, em como isso veio a acontecer e pensa em quem causou ou em quem sofreu a dor.
Este é o ponto crítico deste raciocínio: Quem?
Quando começa a busca pelo responsável surge a procura por um culpado, sejam elas entidades, idéias ou pessoas.
Deus, o destino, a natureza, o acaso, o presidente, o governador, o vizinho, os pais, o cônjuge, o mundo ,a sociedade, a desigualdade social.
Todas as pessoas e idéias são potenciais fontes de dor e possíveis culpados.
Tudo se tornará dor ao seu tempo, e isto faz parte do jogo.
O que não se atentam é de culpa também é uma dor, seja em sentimento ou em punição social, a culpa é dolorosa.
Logo, Não se acrescenta dor à vítima, pois esta pede que a dor a deixe.
Mas única conclusão que possuo é que a vítima é sempre responsável por sua dor.
A lógica: No Quadrado do Sofrimento existem os pontos que se interligam:
A Situação, o Modo, o Responsável (e suas motivações) e a Vítima.
Mas este é um desenho estático.
Na visão deste manifesto a Vítima é ativa no processo de dor, e não passiva.
A vítima não está esperando passivamente pela dor.
Ao contrário,
Uma vez que esteja viva ela expõe ativamente sua vida a toda forma de sofrimento
Tornando-se assim responsável por sua própria dor.
Se a vítima for também o próprio responsável surge o Triangulo do Suicídio:
Situação, Modo e o Self.
O que eu humildemente proponho é o Fim da “Vitimização” pela consciência de que somos todos responsáveis por toda forma de sofrimento.
Todo sofrimento humano, é em última resolução um Suicídio.
Exercícios para praticar o conceito:
Exercício nº1
Situação: Um assalto
Modo: Assaltante encostou revolver em sua nuca, te intimidou, levou sua carteira e mandou você correr sem olhar para trás.
Os culpados possíveis:
( ) O assaltante, que possuía uma arma, mas não possuía uma carteira
( ) A vítima que possuía uma carteira, mas não possuía uma arma
( ) Os pais do assaltante, que não lhe deram uma estrutura na vida
( ) O governo que não permitiu aos pais do assaltante darem a ele uma estrutura na vida.
( ) O Cara que deu a arma pro assaltante.
( ) A Polícia, que não estava presente no momento.
( ) O governo que não deu uma melhor estrutura para a polícia
( ) Deus, que deveria ter impedido o assaltante de escolher esta vítima inocente
( ) Deus, que deveria ter atendido as orações dos pais do assaltante tornando-o um engenheiro.
( ) O diabo que veio para matar, roubar e destruir.
( ) Deus, que inventou o diabo
( ) O Coronel Colt que inventou o revolver
( ) Os chineses que inventaram a pólvora
( ) A humanidade que inventou o crime.
( ) Deus, que inventou o Coronel Colt, os Chineses e a Humanidade.
( ) A vítima, que decidiu viver numa das cidades mais violentas do mundo e deveria estar ciente dos riscos que corria sem choramingar.
( ) Nenhuma das anteriores
( ) Somos Todos Vítimas
( ) Somos Todos culpados
Como este é o Manifesto da Culpa e não o “Manifesto da grande injustiça que o mundo proporciona” Nós só podemos dar uma resposta.
Adivinhe qual.